O Presidente Mário Soares participou como orador no Congresso da União Internacional dos Advogados, em Lisboa, em 2003, aberto pelo então Presidente Jorge Sampaio, ambos advogados de profissão. Coube-me ser vice-presidente desse congresso e receber das mãos do primeiro o seu currículo, para o apresentar. Tinha mais de cinquenta páginas. Comecei a rir e disse-lhe: “Senhor Presidente, já atingiu as três linhas.”
Mário Soares ficou também célebre pela sua tirada mágica: “sou republicano, socialista e ateu”. Deu-me a ocasião para lhe devolver a minha versão: “sou republicano, liberal e católico”.
Sobre ser liberal, hoje (que vem a ser constitucionalista, pelo Direito em con-vivência, mais do que outra coisa), recomendo a entrevista de Helena Rosenblatt (autora do livro The Lost History of Liberalism: From Ancient Rome to the Twenty-First Century) a Ezra Klein (no podcast The Book That Changed How I Think About Liberalism). O liberalismo, antes de ser mercado livre, é limite. “Liberdade regrada pela lei”, como já dizia o nosso Ferreira Borges. Ou “obrigações civis”, como já dizia o nosso Cícero.
Luis Miguel Novais
