Nas últimas horas assistiu-se a uma rápida escalada militar no Médio Oriente. Após uma ofensiva conjunta dos Estados Unidos da América e de Israel contra alvos em território iraniano — descrita como planeada há meses e destinada a degradar capacidades militares estratégicas — o Irão respondeu com o lançamento de mísseis contra bases militares americanas na região do Golfo e com ataques adicionais contra Israel. Seguiram-se novas vagas de bombardeamentos e contra-ataques, ativação generalizada de sistemas de defesa aérea e encerramentos parciais do espaço aéreo regional. O conflito entrou assim numa dinâmica de ação e reação sucessivas, deixando de ser um episódio isolado para assumir características de confronto regional.
Observando a sequência dos acontecimentos, torna-se evidente que nenhum dos intervenientes foi surpreendido. Tanto do lado americano-israelita como do lado iraniano, tudo indica preparação prévia prolongada: planos operacionais definidos, alvos selecionados e sistemas de lançamento previamente programados, aguardando apenas a ordem política final. As coordenadas estavam já nas máquinas; os executantes limitaram-se a carregar nos botões que transformam cenários teóricos em realidade militar. Há, portanto, método naquilo que à primeira vista pode parecer loucura.
Este Portugal adormecido deve manter neutralidade deliberada. O conflito não é um assunto da NATO enquanto tal, nem constitui ameaça direta ao território nacional. Portugal possui, aliás, um longo historial de prudência estratégica associado à utilização da Base das Lajes, cuja prática histórica assentou numa lógica de equilíbrio e neutralidade funcional — recorde-se o precedente da Segunda Guerra Mundial, em que a utilização da base se enquadrou numa gestão cautelosa dos interesses nacionais e da estabilidade internacional. Qualquer envolvimento adicional português que ultrapasse esse princípio não seria apenas um erro de avaliação estratégica; seria um atentado à paz que sempre procurámos preservar.
Luis Miguel Novais
