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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

sábado, 7 de março de 2026

Chapéu de Lisboa

Acompanhei em Lisboa, na Cimeira da NATO de 2010, a decisão política que lançou o sistema de defesa antimíssil da Aliança. Era ainda o tempo em que se falava de cooperação com a Rússia nesta matéria, e em que Barack Obama e Dmitri Medvedev se cumprimentaram pessoalmente em Lisboa. Lisboa abriu o chapéu político da nova arquitetura de defesa.

O sistema foi-se materializando nos anos seguintes. Radares, interceptores e navios foram colocados em diferentes pontos da geografia aliada. Para o que nos interessa, a componente naval mais próxima assenta em quatro destroyers Aegis norte-americanos baseados em Rota, em Cádis, território espanhol. Portugal não dispõe de um sistema nacional de defesa antimíssil que não dependa de meios alheios.

Os acontecimentos recentes tornaram essa dependência ainda mais evidente. Espanha recusou aos Estados Unidos da América (donos dos Aegis) a utilização de Rota para operações relacionadas com os ataques ao Irão. A conclusão é simples: aquilo que está em Espanha depende da decisão de Espanha. Se a decisão for negativa, o sistema não existe para este Portugal adormecido, que em lugar de desculpar a posição de nuestros hermanos devia estar a trabalhar seriamente na nossa própria defesa antimíssil, começando por lograr basear meios Aegis na Base Naval de Lisboa.

Luis Miguel Novais

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