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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Cocaine Fiction

Celebro hoje 39 anos de advogado, sem qualquer processo disciplinar. Desde o primeiro dia decidi que não advogaria em casos de sangue e de droga. Cumpri. Em todos os casos, porque sim.

A notícia de hoje que põe este Portugal adormecido no mapa — a maior apreensão de sempre de cocaína, transportada num submarino a partir da América do Sul — traz de volta um velho desconforto com a ficção que envolve este tema. A escala industrial do fenómeno não combina bem com o discurso moral simplista com que continuamos a tratá-lo.

Passados estes anos todos, ainda me dá vontade de rir aquela linha do Pulp Fiction: “é legal consumir, mas é ilegal comprar”. Talvez o riso venha do anacronismo. Não seria antes — seguindo a linha do tempo e da racionalidade do Estado — uma questão de tarifar?

Luis Miguel Novais

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