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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Causa Monárquica

A pouca qualidade dos candidatos presidenciais neste Portugal adormecido tem levado alguns dos meus amigos a reviver a causa monárquica, sempre latente desde 1910.

Coincidentemente, mão amiga fez-me chegar um artigo académico particularmente interessante, publicado na International Organization, que ajuda a enquadrar esta nostalgia de forma mais ampla. Nesse texto, Stacie E. Goddard e Abraham Newman defendem que o sistema internacional emergente já não se organiza nem segundo a ordem liberal do pós-1945, nem segundo o modelo clássico westfaliano de Estados soberanos iguais. O que estaria a ganhar forma seria algo diferente, que os autores designam por “neo-royalismo”: uma ordem estruturada em torno de pequenos círculos de poder — cliques de elites políticas, financeiras e militares — centradas em figuras soberanas personalizadas, que governam menos por regras e mais por exceções, hierarquias e relações pessoais. Nesse quadro, a autoridade deixa de resultar da legalidade abstrata ou da representação democrática e passa a assentar na ideia de excecionalidade do líder e do seu círculo, com extração de rendas, tributos simbólicos e materiais, e uma clara erosão das noções clássicas de igualdade e soberania entre atores políticos (Stacie E. Goddard e Abraham Newman, “Further Back to the Future: Neo-Royalism, the Trump Administration, and the Emerging International System”, International Organization, vol. 79, suplemento, 2025).

Não acredito numa devolução monárquica em Portugal. Prefiro claramente a eleição presidencial republicana, com todas as suas imperfeições. Mas não posso deixar de reconhecer que vamos ter de melhorar seriamente a pré-seleção de candidatos. A escolha filtrada quase exclusivamente por máquinas partidárias, como a atual, não serve.

Luis Miguel Novais

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