A grande vaga de descolonização de África iniciou-se no pós-1945, envolvendo sucessivamente os impérios francês, britânico, italiano, belga, alemão (já sob regime de mandatos) e holandês, e terminou com a portuguesa.
Com o novo mapa-mundo que se avizinha, com os Estados Unidos da América a expandirem-se para a América Central e do Sul — se não mesmo para o Canadá (que, segundo informa The Economist, já prepara o seu exército para uma eventualidade desagradável) — e, bem entendido, para a Gronelândia; com a expectável expansão da China para a Sibéria; com os correspondentes ajustamentos que daí advirão e que ainda nem conseguimos imaginar, a Europa virou-se para a América do Mercosul. Incompreensivelmente, e nem apenas para os agricultores franceses que já bloqueiam as estradas e os principais portos.
Já no tempo em que este Portugal Adormecido começou a preparar uma armada forte, no reinado de D. João I, conta um espião italiano que os reinos nossos vizinhos da Península Ibérica começaram a ficar nervosos. Sem que ninguém o esperasse, atacámos e conquistámos Ceuta. Aí começou, em 1415, uma longa relação nossa com África, que durou até 1975. E que devíamos começar a pensar retomar — não já como colónias, mas através de consórcios.
Luis Miguel Novais
