A Dinamarca foi acompanhada por seis outros governos europeus numa tomada de posição clara sobre a Groenlândia: respeito pela integridade territorial, pela autodeterminação dos seus habitantes e pelas regras do direito internacional. Estiveram ao seu lado a França, a Alemanha, a Itália, a Polónia, a Espanha e o Reino Unido. Houve coordenação política e mensagem comum. Não é pouco. Mas também não é tudo.
A ironia impõe-se. Em Bruxelas, invocamos távolas redondas — curtas quando convém decidir depressa, longas quando convém adiar — numa União Europeia a 27. Aqui, agora, porém, a fotografia política é a de uma Europa dos sete. Sete vozes bastaram para marcar posição; vinte ficaram fora do enquadramento. A geometria variável pode ser eficaz, mas é também um sintoma: liderança concentrada substitui, sem o dizer, a ambição de ação coletiva plena.
A Europa dos sete corre o risco de deixar a Europa dos vinte e sete reduzida à Bela Adormecida: presente no conto, ausente do enredo, sem casa própria, sozinha a falar com o lobo avozinha, perdida na floresta.
Luis Miguel Novais
Post scriptum — A declaração dos sete foi emitida de manhã. Portugal aderiu durante a tarde.