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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

A Sala dos Tronos

O sistema de Nações Unidas erguido em 1945 assentava numa ficção funcional: a de que existia um centro capaz de moderar ambições e conter a força. Não caiu por ataque frontal; caiu por abandono. Quando o centro deixa de ser usado, deixa de existir. A linguagem permanece, os rituais continuam, mas o comando evapora-se. O universal transforma-se em cenário.

A Casa do Dragão joga o tempo longo: continuidade, densidade, incorporação. Taiwan é capítulo por fechar; a Sibéria, espaço contíguo e praticamente vazio, não fronteira. 

A Casa da Águia fala outra língua: não anexa, administra; não conquista, estabiliza. Venezuela e Gronelândia surgem como interesses vitais, peças de tabuleiro. 

A Casa do Urso já não é Casa: mesmo com a Ucrânia, perdeu a profundidade que fazia império; resta-lhe força, falta-lhe mapa. Para onde vai?

E depois há a Floresta. Tudo o resto. Estados, tratados, princípios. Ali o direito subsiste enquanto não contraria as Casas; quando contraria, torna-se memória. 

Não houve proclamação nem tratado fundador: houve abstenção. Quando ninguém sustenta o centro, os tronos voltam a disputar o mundo.

É claro que isto é apenas uma recriação alegórica inspirada numa certa Guerra dos Tronos; qualquer semelhança com a coincidência é pura realidade.

Luis Miguel Novais

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