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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Elites

Assim de repente, este Portugal adormecido recorda os casos Ballet Rose e Casa Pia, como quem revê um velho dossiê que julgava encerrado. Agora, esta nave especial entretém-se a observar o caso Epstein, mais um de pedofilia e proxenetismo, desta feita na “capital do mundo”, onde o verniz institucional convive com salões fechados e agendas sujas. Mudam os cenários, repete-se a lógica: círculos de poder, cumplicidades difusas, silêncios úteis.

Não sei bem se pesa mais a sordidez ou os implícitos. O que se revela não é apenas o crime, mas a rede: portas que se abrem, convites que circulam, fotografias que se tiram e se guardam. Como dizia alguém, estes arrivistas devem pensar que este é o El Dorado que miravam de fora de Manhattan, antes do sinatriano here I am. Chegados lá, confundem-se.

Com estas elites, o Oncle Sam está doente — e a febre irradia. Porque o centro simbólico do sistema não é neutro: contamina o perímetro. Não é moralismo, quando a cúpula se permite a degradação, o corpo político paga. Para nossa moléstia coletiva.

Luis Miguel Novais

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