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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

A inteligência é uma ilha

A conversa começou no circo de Roma: doze portas, doze signos. Cassiodoro escreve que as portas representam o zodíaco; Boorstin escreve que os signos estavam sobre as portas. O salto é dele. Nós não saltámos. Limitámo-nos a substituir a proposição. Uma ilha artificial é uma ilha. A forma lógica é transparente: o adjetivo qualifica a origem, não anula o substantivo.

Aplicada a outra matéria, a mesma estrutura provoca desconforto. Se uma ilha artificial é uma ilha, então uma inteligência artificial é inteligência. Não há aqui metáfora nem ousadia ontológica: apenas equivalência formal. A resistência não é lógica; é semântica. Aceita-se sem hesitação que uma construção humana possa ser geografia. Hesita-se quando a construção opera no domínio da inteligência.

O episódio de Boorstin fica como espelho útil. Ele materializa uma correspondência simbólica; nós mantemos a forma e trocamos os termos. A conclusão segue por simples substituição: o adjetivo não revoga o género. A inteligência é uma ilha.

Luis Miguel Novais

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