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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

A eleição mais louca

A Rádio Observador (com site e podcasts) tem-se destacado pela qualidade na imprensa deste Portugal adormecido. Com o devido respeito pelos restantes colaboradores, destaco Rui Ramos.

Segundo este, o debate presidencial foi deslocado para um critério negativo: aceita-se votar em António José Seguro sem adesão política ou pessoal, mas considera-se impossível votar em André Ventura sem filiação ou culto. Esta assimetria impede que o voto em Ventura seja lido como sinal sobre temas que trouxe para a agenda — migrações, coesão social, mudança política — e converte a eleição numa escolha abstracta entre “democracia” e “ditadura”, em vez de entre candidatos concretos. A mobilização anti-venturista acaba por dispensar o escrutínio de Seguro, esvaziado de conteúdo e reduzido a figura neutra, enquanto a memória trágica do socratismo e do costismo é remetida ao oblívio. O risco é eleger por defeito e empobrecer a própria democracia em nome da sua defesa (Rui Ramos, “Basta não ser Ventura”, 6 de fevereiro de 2026).

Há um podcast da Rádio Observador sobre a segunda volta de 1986, a do “sapo Soares”, com o título “A eleição mais louca de sempre”. Aquela foi. Esta, agora, disputa o nome. E fica a sensação de que me é dado a escolher entre o lobo mau e o lobo meigo.

Luis Miguel Novais

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