Deixou-nos António Lobo Antunes, escritor. Que a terra lhe seja leve.
Um escritor, porém, não morre verdadeiramente. Por definição, é imortal. Vive no eterno presente da língua: cada vez que um leitor abre um livro, a voz regressa e a obra recomeça, como se tivesse acabado de ser escrita.
Talvez por isso a morte de um escritor seja sempre um acontecimento ambíguo. Desaparece o homem — com a sua biografia, os seus dias e as suas controvérsias — mas permanece a obra, que deixa de pertencer ao tempo e passa a pertencer à literatura. É nesse domínio, mais durável do que a própria vida, que os escritores continuam a existir ad saecula saeculorum.
Luis Miguel Novais
