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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

sábado, 14 de março de 2026

Pobre Marquês

Li no Observador de hoje um importante artigo do padre Gonçalo Portocarrero de Almada, do Opus Dei, intitulado “A verdadeira Operação Marquês”. Registo a analogia proposta entre a devassa ao Marquês de Pombal e o processo contemporâneo que se apropriou ilegitimamente do nome. A leitura é sugestiva, mas anacrónica: uma devassa régia do século XVIII não se compara de todo a um processo penal num Estado de direito. E a autoridade principal invocada — Camilo Castelo Branco —, sendo literariamente poderosa, é historiograficamente imprópria como eixo probatório.

Acrescento, com o devido respeito intelectual, a partir da minha própria investigação nos papéis da Coleção Pombalina da Biblioteca Nacional de Portugal, uma nota que raramente aparece e que certamente o autor desconhece. Na correspondência privada do Marquês, no exílio em Pombal, com o filho que permaneceu na Corte, lê-se esta frase: “não podemos deixá-los faltarem-nos ao respeito.”

Passado todo este tempo, ainda devemos respeito ao Marquês de Pombal, que em 27 anos de dedicação à causa pública reformou este Portugal adormecido (que na sua altura era global), introduzindo modelos que aprendeu na Europa, em Londres e Viena, onde viveu largos anos. O respeito não prescreve.

Luis Miguel Novais

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