O presidente francês anunciou ontem uma nova doutrina de forward deterrence (dissuasão avançada). A iniciativa envolve uma parceria entre França, Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Grécia, Países Baixos, Polónia e Suécia. O modelo prevê exercícios regulares com a força aérea francesa — que dispõe de capacidade nuclear — aos quais os parceiros contribuirão com meios convencionais.
O desenho do mecanismo recorda o sistema existente na NATO, no qual aliados fornecem meios convencionais para apoiar missões nucleares norte-americanas. Na prática, trata-se de uma arquitetura europeia paralela. Uma espécie de mini-NATO centrada na capacidade nuclear francesa e na participação convencional de parceiros europeus.
Portugal não integra esta iniciativa, e é razoável que assim permaneça. A posição portuguesa deve continuar ancorada na velha aliança atlântica, reforçada no quadro da NATO. Fora desse quadro, o interesse nacional aconselha a manutenção de uma posição de neutralidade.
Luis Miguel Novais