Enquanto o nosso (ainda) atual comandante supremo das Forças Armadas critica publicamente as próprias forças em ação de proteção civil face à calamidade atmosférica que vive este Portugal adormecido (por "erros de comunicação”!?), na Noruega o chefe da defesa tratou hoje a comunicação como matéria de sobrevivência. Fê-lo numa entrevista ao The Guardian (“Norway defence chief says Russia could invade to protect nuclear assets”).
O general norueguês admite que Moscovo poderia, em cenário extremo, tentar um movimento invasivo para proteger os seus activos nucleares concentrados na península de Kola. Nesse quadro, o perigo maior será o erro de cálculo: incursões aéreas, incidentes marítimos, interferências e reacções em cadeia. Daí a proposta central: uma linha directa militar funcional entre capitais para evitar que um mal-entendido operacional escale.
Visto de fora das “casas grandes”, quando o domínio é nuclear, a comunicação não é comentário: é infra-estrutura crítica de sobrevivência.
Luis Miguel Novais
