Notava-se hoje, pelas ruas do Porto de Portugal, o sorriso nas faces com o regresso do sol. Alívio após a sucessão recente de tempestades e cheias no sul da Europa, com precipitação extrema, solos saturados e rios fora de margem, causando mortes e destruição em vários países — este Portugal adormecido incluído.
Li numa esplanada (que saudades eu já tinha) a opinião de cientistas citados num longo artigo do The Guardian que afirmam que estes episódios extremos de chuva e vento são compatíveis com o que se pode prever num clima mais quente e criticam a insuficiência das políticas de adaptação, que continuam a deixar pessoas e bens expostos em zonas de risco reconhecido (“Under water, in denial: is Europe drowning out the climate crisis?” — Ajit Niranjan, The Guardian, 21 de fevereiro de 2026).
De que servem tantos instrumentos de planeamento territorial — verdadeiras limitações ao direito de propriedade individual, como REN, RAN, Natura e afins — se, no fim do dia, continuaremos a reconstruir em leito de cheia com dinheiro público?
Luis Miguel Novais
