Segundo entrevista de Will Marshall, CEO da cotada Planet, à The Economist (“How satellite imagery is reshaping open-source intelligence”, Davos, janeiro de 2026), o valor deixa de residir na fotografia isolada e passa para a série contínua, tratada e interpretada, capaz de antecipar movimentos e medir alterações quase em tempo real. A computação em órbita surge assim como infra-estrutura crítica de uma nova camada de conhecimento operacional sobre o planeta, já hoje sustentada por financiamento e expectativas dos mercados de capitais.
Essa mudança de ponto de vista, de 1957 (quando colocámos pela primeira vez um objecto humano fora da Terra) — que Hannah Arendt assinalou como decisiva para a condição humana — ganha agora uma dimensão operacional bem interessante no caminho do progresso humano.
Luis Miguel Novais
