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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Europa de Trump

Conheci Donald Trump, o atual Presidente dos Estados Unidos da America, em Nova Iorque e Nova Jersey, nos anos 90. Não sei se então imaginava vir a ser quem é, embora as suas presenças em eventos ligados a Ronald Reagan já deixassem uma pista nesse sentido.

Num artigo de opinião de hoje, Simon Kuper sustenta que Donald Trump se tornou, paradoxalmente, o maior catalisador da unidade europeia. Ao ameaçar alianças, questionar a NATO e adotar uma postura transacional face ao continente, terá contribuído para que os europeus reconheçam vulnerabilidade estratégica. A Europa, habituada a décadas de “paz subsidiada” sob o guarda-chuva americano, é empurrada a pensar por si: mais defesa própria, menos dependência, mais integração por reação a um adversário externo que a obriga a definir-se (“Trump is Europe’s best enemy yet”, Simon Kuper, Financial Times, 8 de fevereiro de 2026).

Nos anos 90 conheci-o como um visionário global, simbolizado pelo Trump Taj Mahal de Atlantic City. Hoje, a trajetória é outra e as consequências são geopolíticas. Travando tarde, talvez Trump não tenha ido longe demais. Se calhar, aqui na Europa, ainda lhe vamos agradecer.

Luis Miguel Novais

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