Amanhã os Estados Unidos celebrarão 250 anos da Declaração de Independência da Grã-Bretanha, aprovada pelo Congresso reunido em Filadélfia, em 4 de Julho de 1776. Já vi o sino que ali se conserva, hoje chamado Liberty Bell. É belo o som da liberdade.
Convém recordar, porém, que antes da Declaração de Independência houve outra declaração, menos célebre e talvez mais injustamente esquecida: a Declaração de Direitos da Virgínia, adoptada em 12 de Junho de 1776. Foi redigida por George Mason e chamava-se, por extenso, Declaração de Direitos feita pelos representantes do bom povo da Virgínia, reunidos em convenção plena e livre; direitos que a eles e à sua posteridade pertencem, como base e fundamento do governo. Antes de Jefferson escrever para os treze Estados Unidos, Mason escrevera para a Virgínia. Antes da independência comum, já ali se afirmava que todos os homens são por natureza igualmente livres e independentes, que o poder vem do povo, que o governo existe para o benefício comum, que a liberdade não é esmola do Estado, que a propriedade, a segurança, a consciência, a justiça e a resistência ao abuso pertencem aos cidadãos. A leitura é muito recomendável. Algumas dessas afirmações, escritas perante um Estado que acabava de nascer, deviam hoje ser relidas por Estados velhos, gordos e distraídos.
Saúdo os 250 anos da Declaração de Independência dos Estados Unidos da América. Então ainda irmão mais novo da Europa. Nascido também da velha tradição greco-romana, cristã, europeia e atlântica. Mas irmão daqueles que, mal nasceu, disse aos mais velhos uma coisa importante: o Estado serve o cidadão. Não é o cidadão que serve o Estado. É bom recordar. É uma never ending story.
Luis Miguel Novais
