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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Patriotismos

Um curioso artigo da The Economist da semana passada conclui, com a ajuda das alucinações de uma inteligência artificial, que o hino deste Portugal adormecido é o mais agressivo dos 48 do actual Mundial de Futebol. A Portuguesa chamaria os cidadãos doze vezes às armas. O número é impressionante, mas talvez seja demais: depende da versão que se cante e da máquina que a conte.

Não deixa, porém, de ser verdade que o nosso hino nasceu de uma ferida. Não nasceu de cerimónia, nem de protocolo, nem de paz ministerial. Nasceu do Ultimato britânico (1890), passou pela indignação patriótica, foi mais tarde adoptado pela República (1910) e acabou, com o tempo, sobrevivente de uma bela ironia nacional: uma marcha de indignação transformada no canto comum de independência.

Talvez por isso o Mundial ainda seja a continuação de uma boa invenção medieval, dos torneios e justas. Durante umas semanas, as pátrias voltam a entrar em campo, cantam, medem-se, sofrem e batem-se usando uma seleção de campeões nacionais. Mas com bolas em vez de balas. Muito melhor assim. O futebol serve para recordar que há alternativas à guerra.

Luis Miguel Novais

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