A frieza não é ausência de emoção. É a disciplina de não deixar que a emoção tome o comando. O jogo corre mal, o adversário marca, o tempo passa, o ruído aumenta, e ainda assim há uma ordem interior que não se desfaz. A Alemanha pode perder durante o jogo; o que raramente perde é a ideia de que o jogo ainda não acabou.
Talvez seja isso que hoje nos falte em quase tudo. Vivemos num tempo histérico, em que cada contratempo parece sentença e cada oscilação parece destino. A frieza, pelo contrário, é a arte difícil de continuar a pensar quando já apetece reagir. À atenção deste Portugal adormecido.
Luis Miguel Novais