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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

sábado, 20 de junho de 2026

A frieza

A Alemanha esteve a perder com a Costa do Marfim até quase ao fim e não deixou de ganhar. Isto, em futebol, não é apenas uma estatística. É uma forma de estar. Há equipas que, quando ficam para trás, se explicam. Outras, no final, ganham. É a Alemanha, no futebol, não é?

A frieza não é ausência de emoção. É a disciplina de não deixar que a emoção tome o comando. O jogo corre mal, o adversário marca, o tempo passa, o ruído aumenta, e ainda assim há uma ordem interior que não se desfaz. A Alemanha pode perder durante o jogo; o que raramente perde é a ideia de que o jogo ainda não acabou.

Talvez seja isso que hoje nos falte em quase tudo. Vivemos num tempo histérico, em que cada contratempo parece sentença e cada oscilação parece destino. A frieza, pelo contrário, é a arte difícil de continuar a pensar quando já apetece reagir. À atenção deste Portugal adormecido.

Luis Miguel Novais

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