O Reino Unido parece outra vez disposto a ensinar-nos que uma maioria não chega. Starmer tinha votos, governo, máquina. Faltava-lhe frieza política. E, quando falta isso, até uma maioria absoluta começa a parecer uma sala vazia.
Entra agora Burnham, vindo de Manchester, com botas, sotaque do Norte e a promessa vaga de falar a quem o Reform anda a seduzir. Não é Corbyn. Também não é Blair. É outra coisa: trabalhismo de sola grossa, povo contra Westminster, serviços públicos e indústria com cheiro a oficina. Contra Farage, talvez chegue já.
Porque a política, como o futebol, também tem isto: eles jogam muito, mas no fim ganha quem sabe. À atenção deste Portugal adormecido (outra vez).
Luis Miguel Novais
