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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Suez outra vez

O Estreito de Ormuz voltou a ser o ponto onde o mundo cabe num estreito. Não por acaso: é ali que a geografia manda mais do que a política, como na Crise de Suez, em 1956 — que terminou com o recuo das potências europeias e com a consolidação da primazia dos EUA e da URSS no quadro da Guerra Fria.

A leitura que sai de Washington — Suzanne Maloney, no The Ezra Klein Show de hoje (“Why Iran Believes It Has the Upper Hand”) — é clara: o poder no Irão encontra-se cada vez mais militarizado, com os Guardas Revolucionários a imporem a sua lógica dentro do regime. Veio para ficar. Com isso, Ormuz deixa de ser risco difuso e passa a instrumento previsível.

É aqui que entra a memória da Crise de Suez. Não como metáfora, mas como estrutura: um estrangulamento transforma-se em alavanca e força o resto do mundo a reagir. Se Ormuz é Suez outra vez, então não é o Irão que está em causa; somos todos nós. A Europa não voltará a ser a mesma, outra vez.

Luis Miguel Novais

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