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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

domingo, 5 de abril de 2026

Do lobo ao cão

Comecei a escrever com esferográfica. Em si mesma, uma evolução tecnológica importante em relação à pena. Depois, já quando fazia estágios contemporâneos para a advocacia ou jornalismo, passei a escrever numa máquina. Mais tarde, quando investiguei inteligência artificial aplicada ao direito, passei a escrever numa máquina eletrónica (computador pessoal). Hoje escrevo num ecrã de um iPhone, num programa de inteligência artificial. Ainda não passaram 40 anos deste grande salto em frente da humanidade, na sua forma de se expressar.

Deus criou os lobos. O Evangelho de Mateus diz mesmo (uma das frases que a recentemente falecida mamã gostava de me ouvir recitar): “mando-vos para o meio dos lobos; sede prudentes como as serpentes, simples como as pombas”. Além da fábula de La Fontaine, onde corre mal o pacto entre a humanidade e os lobos, que são quem são, segundo reza a ciência, há cerca de 13 000 anos, nós criámos e temos vindo a melhorar os cães. A partir dos lobos de Deus, criámos companhia e guarda, com utilidade, em diversidade e beleza, tantas vezes à nossa semelhança.

Valem estas reflexões pascais, para além da alegria da Ressurreição, para o presente: estas máquinas de inteligência artificial, nossa criação, não devem ultrapassar o papel dos cães.

Luis Miguel Novais

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