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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

terça-feira, 28 de abril de 2026

Perguntei ao António Costa

O problema não está no contacto em si. Em qualquer economia aberta, investidores, empresários, advogados, consultores e decisores públicos cruzam-se, falam e procuram soluções. Isso pode ser legítimo e até útil. Confundir toda a aproximação ao Estado com corrupção ou crime é um erro analítico e um incentivo à paralisia. Sem canais de diálogo, não há investimento nem decisão.

O problema está noutro ponto: transparência, igualdade de acesso e rasto verificável. Se há contactos relevantes para procedimentos públicos, importa que exista memória institucional suficiente para controlo posterior. Não para criminalizar a informalidade em bloco, mas para distinguir o normal do indevido. A questão central não é a conversa; é o favorecimento, a ocultação ou a quebra das regras.

Neste Portugal adormecido, Ministério Público e jornalismo deveriam medir melhor essa fronteira. Lançar lama indiscriminada sobre o interesse legítimo degrada a confiança e afasta gente séria da esfera pública. Mas ignorar redes informais de influência também seria ingenuidade. O equilíbrio civilizado chama-se escrutínio com critério. Sem sabor a jacobinismos.

Luis Miguel Novais

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