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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

domingo, 12 de abril de 2026

O mapa francês na parede inglesa

Na edição de ontem da revista HTSI, do Financial Times, dedicada a design, surge a sala do designer Jasper Morrison. Na parede, em destaque, não está uma obra abstrata nem uma fotografia de moda: está um velho mapa escolar francês da Península Ibérica, de c. 1900–1914.

Lê-se no cartucho: Espagne et Portugal, carte physique et agricole, par Vidal-Lablache. E Portugal aparece resumido com uma clareza ancestral e surpreendente. A norte, entre Douro e Minho: vinhos (mais a norte, na Galiza, floresta). Mais abaixo, entre Tejo e Douro: laranjas (!… onde hoje está floresta que arde brutalmente…). Noutras zonas: milho, oliveiras, rebanhos. Na costa: pesca. Em poucas palavras, geografia, clima e produção alimentar que deveremos recordar, neste Portugal adormecido a caminho de uma nova crise mundial (como a que acabou por suceder nesse 1914).

O detalhe mais interessante não é decorativo: é intelectual. Um mapa antigo, feito para ensinar crianças, continua a explicar melhor Portugal do que muita conversa moderna. Primeiro vem o território onde vivemos, mesmo antes da política agrícola comum europeia. Recordemos.

Luis Miguel Novais

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