Portugal conserva uma longa tradição de projectos industriais que chegaram a existir antes de existirem. Uns ficaram como memórias, outros como rumores insistentes, outros ainda como peças soltas de um puzzle que nunca chegou a ser montado. A história da Fábrica Pachancho, em Braga, pertence a esta última categoria.
António Peixoto, empresário bracarense e meu bisavô, construiu um complexo industrial multifacetado, activo em metalurgia, mecânica fina e produção de motorizadas sob a marca Pachancho. Nas memórias locais persiste a ideia de que ali se tentou obter alvará para a construção de um automóvel português. A investigação recente confirma que essa intenção existiu, pelo menos enquanto projecto, e que não nasceu do nada.
A documentação secundária hoje disponível cita duas edições da revista O Volante, de Dezembro de 1948 e Dezembro de 1958, como fonte para uma parceria entre a empresa de António Peixoto e a Fabbrica Candele Accumulatori Maserati. Esses textos referem que modelos produzidos em Braga teriam origem em acordo com a marca italiana e apresentavam características muito semelhantes ao primeiro Maserati de estrada, o A6 1500, apresentado em 1947.
O meu bisavô faleceu em 1958. Faria anos no Natal.
Luis Miguel Novais
