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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

domingo, 21 de dezembro de 2025

Comprar uma guerra

No meu tempo na EMPORDEF, este Portugal adormecido mantinha relações de indústria militar com a Ucrânia e com a Rússia. Essa duplicidade, própria de um país pequeno, mas prudente, permitia manter canais técnicos e diplomáticos abertos com ambos os lados de um espaço geopolítico que sempre foi instável.

Entretanto, a Rússia invadiu a Ucrânia e a NATO, não tendo sido invadida, tem mantido uma posição oficialmente não beligerante. Os Estados-membros apoiam a Ucrânia, mas afirmam não participar diretamente na guerra. É a estreita margem onde a Aliança tem procurado permanecer: apoiar sem entrar, ajudar sem assumir o estatuto de parte no conflito.

É, por isso, estranho o acordo agora anunciado pelo Governo de Portugal para produção conjunta de drones navais e subaquáticos com a Ucrânia, integrando tecnologia ucraniana e capacidade industrial portuguesa. A Rússia continuará a ser tratada de igual modo? Seguir-se-á um acordo de teor semelhante com Moscovo, como era prática antes da guerra, ou estamos, sem o admitir, a comprar uma guerra?

Luis Miguel Novais

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