Entretanto, a Rússia invadiu a Ucrânia e a NATO, não tendo sido invadida, tem mantido uma posição oficialmente não beligerante. Os Estados-membros apoiam a Ucrânia, mas afirmam não participar diretamente na guerra. É a estreita margem onde a Aliança tem procurado permanecer: apoiar sem entrar, ajudar sem assumir o estatuto de parte no conflito.
É, por isso, estranho o acordo agora anunciado pelo Governo de Portugal para produção conjunta de drones navais e subaquáticos com a Ucrânia, integrando tecnologia ucraniana e capacidade industrial portuguesa. A Rússia continuará a ser tratada de igual modo? Seguir-se-á um acordo de teor semelhante com Moscovo, como era prática antes da guerra, ou estamos, sem o admitir, a comprar uma guerra?
Luis Miguel Novais