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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Liberdade responsável, amanhã

A tradição ensinou-nos a começar pela liberdade e só depois pela responsabilidade, como se a ética fosse um adorno tardio da vontade. Mas essa ordem tornou-se insuficiente num tempo em que a ética é constantemente violentada: ora sugada pela desmoralização instantânea, ora instrumentalizada pelo cálculo, ora dissolvida numa retórica que perdeu o sentido comum. O irreversível não encerra o pensamento ético.

A responsabilidade antecede a liberdade. O que não tem solução, já está resolvido — não por resignação, mas por lucidez ética. A aceitação do real afasta o delírio das alternativas imaginárias e restitui à ação o seu campo próprio. A liberdade deixa então de ser um voluntarismo vazio e passa a ser a forma concreta da resposta ao necessário. A responsabilidade não a limita: funda-a. E o vínculo anterior ao sujeito não o oprime: estrutura-o, precisamente onde a ética ainda resiste ao ruído exterior.

Amanhã, esta poderá ser a única liberdade capaz de sobreviver ao contemporâneo: às escolhas sem critério de sentido comum, à tragédia dos baldios onde todos reclamam direitos e ninguém reconhece deveres, e à selva de homo banditus, nossos vizinhos, sempre prontos a converter o espaço público em terra deles. A liberdade responsável não promete redenção; oferece orientação. Uma liberdade que não nasce do capricho, mas da responsabilidade que a precede — e que talvez seja a última fronteira antes da guerra.

Luis Miguel Novais

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