A edição de ontem da revista Sábado publica um extenso resumo de interceptadas conversas telefónicas do então Primeiro-Ministro António Costa, recolhidas no âmbito da Operação Influencer. Independentemente de se tratar de prova válida em tribunal (do que aqui não trato), o que acrescentam — e isso basta, presumindo-as verdadeiras — é uma confirmação: a normalização do inaceitável.
O que emerge não se limita ao anterior chefe do Governo deste Portugal adormecido, actual Presidente do Conselho da União Europeia. Envolve ministros, membros do Partido Socialista e o actual secretário-geral deste importante partido político, José Luís Carneiro. Um conjunto de intervenções que, em vez de revelar governabilidade centrada no interesse público, expõe um circuito paralelo de influências.
O ponto central não está no conteúdo individual de cada chamada — muitas delas quase irrelevantes — mas no padrão que revelam. A repetição cria método. E o método instala-se. Fica uma pergunta simples, talvez a única necessária: quantas destas práticas subsistiriam se fossem transparentes desde o primeiro dia?
Luis Miguel Novais
