O actual primeiro-ministro deste Portugal adormecido mostra que leu e conhece bem o Príncipe de Maquiavel, em especial o capítulo XXII: "quando perceberes que o ministro pensa mais em si mesmo do que em ti, e que em todas as suas acções procura tirar proveito pessoal, podes estar certo de que ele não é bom, e nunca poderás confiar nele". Num verdadeiro Passosdoble, de se lhe tirar o chapéu, apanhou o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros Paulo Portas a jeito, encostou-o à parede e retirou-lhe a máscara.
Estivemos suspensos por três horas este domingo à tarde, entre as 15 e as 18 horas, enquanto o Governo reunia extraordinariamente, sem a presença do omnipresente ministro de Estado e das Finanças Públicas Vitor Gaspar, para um verdadeiro em que ficamos: perante a manutenção do imposto sobre os pensionistas, a "fronteira" definida pelo ministro Paulo Portas no domingo passado era intransponível (e levava à queda do Governo) ou não? Foi facilmente transposta: Paulo Portas deu o dito por não dito e "abriu uma excepção".
Como sou daqueles que pensam que os princípios não têm excepções, fico definitivamente esclarecido sobre não estar deste nosso lado o actual ministro Paulo Portas. Para quem se afirma discípulo de Winston Churchill, Portas mostra imerecimento, ou então ainda não chegou à parte da biografia de Churchill que o tornou imortalmente merecedor da nossa admiração, que se costuma enunciar assim, segundo as suas próprias palavras e actos: "we shall fight on the beaches, we shall fight on the landing grounds, we shall fight in the fields and in the streets, we shall fight in the hills; we shall never surrender". Com o nosso actual ministro dos Negócios Estrangeiros, o actual "protectorado" (segundo as suas próprias horríveis palavras proferidas no domingo passado, surpreendentes para quem está em exercício de funções no cargo em que está), está para durar. Rendeu-se. Não merece o cargo que ocupa. Que deixe, ao menos, a memória de Churchill em paz: para este os princípios não tinham excepções.
Luis Miguel Novais
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Riqueza, civilização e prosperidade nacional
