Bem sei que com este título, e as infelizes declarações vermelhas do presidente da Edp sobre a importância para o PIB deste Portugal adormecido de uma vitória do SLBenfica sobre o FCPorto, suspeito que só me lêem adeptos deste último glorioso, ontem não derrotado. É pena, o emprego azul interessa aos portugueses de todas as cores. Refiro-me, claro, ao mar e à nossa condição atlântica, hoje em dia atlântico-europeia. É que, hoje em dia, com tantas transferências de soberania, mais ou menos sub-reptícias, o mar português já não é assunto nosso, é assunto europeu, com uma comissão europeia para os Assuntos Marítimos e tudo.
Foi hoje mesmo aprovado pela Comissão Europeia um "Action Plan for a Maritime Strategy in the Atlantic area", um plano de acção para os sectores marinho e marítimo, que são já assumidos como parte da "economia azul" e, segundo a própria Comissão Europeia, "implicam um potencial de criação de 7 milhões de empregos na Europa até 2020", nos sectores mais tradicionais (como, evidentemente, é o caso da construção e reparação naval, e patente o caso dos nossos maltratados Estaleiros Navais de Viana do Castelo), mas também nos sectores emergentes (como o das energias renováveis offshore, já em experimentação em Portugal, por exemplo, ao largo da Póvoa de Varzim).
Um assunto muito nosso, de Portugal, este sim com evidente importância para o PIB nacional, e que mereceria ocupar mais a Edp e até um Ministro do Mar a tempo inteiro, orientado para a criação de emprego azul - com sede no Porto, claro.
Luis Miguel Novais
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Riqueza, civilização e prosperidade nacional
