Vivemos em Portugal o último suspiro da partidocracia saída do 25 de Abril de 1974. O arco do poder está a um passo de transformar-se em arco-íris, mirífico.
No Psd, Francisco Sá Carneiro, infelizmente vítima da cruel teoria James Dean (die young stay pretty), há-de olhar para o actual partido (baseio a seguinte asserção nos programas do partido da sua época), do mesmo modo que o Morrissey canta: "Caligula would have blushed".
No Ps, Mário Soares não tem pejo em estar internado num Hospital privado, enquanto clama pela intangibilidade do Serviço Nacional de Saúde que, coerentemente, não utiliza.
Só vejo duas possíveis saídas para cada um dos partidos e, consequentemente, a partidocracia saída do 25 de Abril de 1974, respectivamente: que se assuma Rui Rio, actual presidente da Câmara Municipal do Porto, no Psd; e que se assuma António Costa, actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa, no Ps.
Nenhum dos actuais dirigentes máximos do Psd e Ps está à altura de governar o país. Concedo que podem dominar as máquinas dos partidos, como estão (mal), mas não são capazes de governar o país num sentido desejável para o povo (sigo a teoria de Fernandes Tomás: abaixo do rei tudo é povo; agora que não há rei, acrescento eu, somos todos povo).
Sem que os dois presidentes das duas principais Câmaras Municipais do País avancem já, cada um para a liderança do seu partido respectivo, e antes das eleições municipais, ambos os partidos se desintegrarão. É a minha opinião. Daí não deriva o fim da democracia. Poderá resultar a receita do povo para a actual suposta destruição criativa. Cheira-me a nortada.
Luis Miguel Novais
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Riqueza, civilização e prosperidade nacional
