Onde provavelmente não estamos de acordo é sobre o onde. A tese dominante tem sido a de que esse investimento tem de ser feito na linha Lisboa-Madrid. Os principais argumentos, além dos lisboacentricos, reconduzem-se ao custo incomportável para o erário público do investimento na linha Lisboa-Porto, por causa das expropriações. Discordo. A linha Porto-Lisboa de alta velocidade ferroviária pode ficar muito barata se usarmos a inteligência para gerir os recursos públicos. Com efeito, lanço a seguinte ideia para o debate público: porque não utilizar para o comboio de alta velocidade o espaço-canal já aberto pela auto-estrada A17/A8?
Na realidade, não necessitamos de duas auto-estradas paralelas entre o Porto e Lisboa, como hoje sucede com a A1, de um lado, e o IC1 (A17/A8) do outro. As expropriações já estão feitas, a via da A17/A8 é em grande parte recta, plana e larga, correndo em seis faixas durante uma boa parte do percurso. Porque não a utilizamos como espaço-canal para lançar o comboio de alta velocidade Porto-Lisboa?
Luis Miguel Novais
