Prossigamos neste Portugal adormecido, como de costume, pondo debaixo dos panos (uma expressão bem portuguesa) aquilo que não interessa (sabedoria milenar); seja a licenciatura ilegal de um Senhor Ministro (obtida em não mais de dois semestres quando pela Lei de Bases do Sistema Educativo deveria ter durado pelo menos seis semestres), seja a decisão nula do Tribunal Constitucional (pelo impedimento civilizacional de qualquer juiz julgar em causa própria, aplicável aos juizes do Tribunal Constitucional nos termos da própria Constituição, por eles inaplicado e com toda a gente a assobiar para o ar), e por aí fora. E la nave va, como no filme de Fellini.
O que interessa é que vamos obter mais um ano de alívio no programa da Troika, como se conclui das palavras do Senhor Ministro das Finanças. E resulta de elementar justiça à luz da interpretação formal da igualdade que agora está em vigor em Portugal. Conforme agora declarou o nosso Tribunal Constitucional, acabe-se com essa modernice de considerar que justa é a chamada igualdade material, a do tratar por igual o que é igual e tratar desigual o que é desigual. Justo é, agora em Portugal, o velho princípio do ou comem todos... e se a Espanha come...
Claro que os juros de mais um ano a pagar à Troika, agora, já não interessam para nada. É sabido que, a seu dia, como de costume, hão-de ir para debaixo dos panos.
Luis Miguel Novais
Total:
Riqueza, civilização e prosperidade nacional
