A Islândia disse não à União Europeia. Foi um não por 52,8%, com uma participação num referendo de 82,6%. Mais interessante do que o resultado é a razão. Num país em que o mar pesa verdadeiramente na economia, entrar na União significava pôr em cima da mesa o controlo das pescas, dos recursos naturais e das águas que os islandeses consideram suas. Preferiram não o fazer.
Talvez ainda mais interessante seja terem sido os jovens a dar a maior volta. Dois meses antes, 63% dos islandeses entre os 18 e os 29 anos admitiam votar sim. À porta do referendo, 60% diziam que votariam não. Não parece ter nascido subitamente uma geração de eurocépticos. Parece ter sido percepcionado (nas redes sociais?) que pertencer a um espaço maior pode ser vantajoso, mas não obriga a oferecer por pouco aquilo que um país tem de mais valioso.
É aqui que a Islândia devia interessar a este Portugal adormecido. Temos 1,66 milhões de quilómetros quadrados de Zona Económica Exclusiva e poderemos chegar perto dos quatro milhões com a extensão da plataforma continental. Temos um enorme potencial de Economia Azul por explorar e continuamos demasiadas vezes a negociar na Europa como um pequeno país sentado na ponta ocidental da Península. Quando se aproxima mais uma moção de censura ao Governo, talvez não fosse mau os nossos deputados debaterem quanto vale o mar português.
Luis Miguel Novais
