Sob uma lua cheia, a iluminar a terra como se fosse dia, estive no «Petróglifos e estrelas», uma visita noturna ao Parque Arqueológico da Arte Rupestre de Campo Lameiro, Pontevedra, Galiza, Espanha, ontem e hoje, entre as 22 horas e a meia-noite e meia. Recomendo-a nas suas ocasionais repetições. Há coisas que ganham em ser vistas de noite.
O parque arqueológico está muito bem organizado e é notável pela conservação de memórias humanas com mais de quatro mil anos. O centro interpretativo é muito interessante. A visita noturna, essa, é impagável: andar no escuro por entre pedras onde alguém deixou sinais há milénios muda ligeiramente a escala do tempo. E ainda por cima olhar as estrelas com as explicações de Ptolomeu acrescentadas pela visão da ciência atual, apontando para as estrelas com laser em campo aberto, é muito enriquecedor.
A visita ao ar livre, com meia centena de pessoas, decorreu integralmente em galego, sem oposição de ninguém. É duplamente assinalável. Sem a regionalização da Galiza, a existência do próprio parque e a investigação académica que o sustenta seriam, no mínimo, improváveis; e que a visita decorresse nesta língua prima-irmã da portuguesa seria praticamente impossível. A certa altura fomos brindados com uma estrela cadente. Em galego chama-se estrela fugaz. Que bonito.
Luis Miguel Novais
