Total:

Riqueza, civilização e prosperidade nacional

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

A vitória dos pobres

A AfD ganhou uma muito participada eleição (quase 80%) com cerca de 44% dos votos na Saxónia-Anhalt, o melhor resultado da sua história, muito acima das previsões. O grande derrotado foi o arco político formado pela CDU, SPD e liberais, as forças que, em diferentes combinações, construíram e governaram a Alemanha livre durante oito décadas. Esse sistema aparece eleitoralmente esmagado por uma força nova.

A Saxónia-Anhalt não é Hamburgo, Munique ou Frankfurt. É um dos Estados mais pobres da Alemanha, perdeu uma parte substancial da sua população desde a reunificação e continua no fundo da tabela alemã do rendimento e da produtividade. Em 2025 tinha apenas 2,12 milhões de habitantes e o menor PIB por habitante entre os Länder alemães. É uma Alemanha envelhecida e relativamente pobre que votou desta maneira. Uma realidade bastante mais próxima deste Portugal adormecido (o nosso PIB per capita é ainda, mesmo assim, inferior) do que a imagem da Alemanha rica que habitualmente tomamos pelo todo.

A vitória da AfD interessa, por isso, muito para além da Alemanha e muito para além da AfD. Mostra o descontentamento de quem ficou para trás enquanto a Europa se enterrava. Os que cá estamos começámos a sentir-nos entre a espada e a parede: Quando os partidos do centro deixam de representar esse descontentamento, alguém acaba por representá-lo. Onde é que eu já vi isto?

Luis Miguel Novais

Acerca de mim