Chamar-nos a todos fariseus e reduzir tudo ao ridículo de meter o bedelho num tanque é divertido. Mas a gargalhada ilude aquilo que verdadeiramente está em causa: o sentimento de impunidade que percorre a vida pública portuguesa.
Não serei dos que atiram pedras ao ministro. Teria, porém, preferido que a sua explicação sobre aquilo que já ultrapassou a intimidade da vida privada (por envolver um empreiteiro de obras públicas) fosse inteira, clara e verificável, ao ponto de não o desautorizar. Quem tutela a autoridade do Estado não pode deixar a pairar a ideia de que a lei é muito clara para os outros e apenas um tanque para si.
Luis Miguel Novais
