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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Eswatini

Uma notícia surpreendente (para variar, neste tempo de “homem mordeu o cão” nos media): a Interpol, entidade internacional de coordenação policial, o mais parecido que temos com uma polícia global nesta nossa nave especial, acaba de anunciar a detenção, numa só operação coordenada, de 5.811 pessoas em 97 países, 82 delas em Eswatini (não é gralha: Eswatini é um país africano, membro da ONU).

Confesso que me escapara a intensa e saudável atividade da Interpol no combate às fraudes via internet que todos recebemos diariamente por spam nos nossos emails: doações milagrosas, fármacos, sexo, drogas, rock and roll, you name it. Pelo inusitado número anunciado de detenções e de países, fui verificar. Afinal, estas operações de limpeza criminal global são já frequentes desde 2014, atacando verdadeiras associações multinacionais de fraude eletrónica organizada, com call centers criminosos, falsas autoridades, falsas plataformas de investimento, falsas paixões, falsas urgências e dinheiro verdadeiro a desaparecer por contas bancárias, criptomoedas e outros buracos modernos.

Surpreendido, agradecido, louvo o trabalho oculto da Interpol, digno de filme de ficção pós-disrupção distópica. Enquanto nós apagamos emails de príncipes, viúvas, bancos inventados e amores de ocasião, há quem ande, em silêncio, a desmontar as fábricas. Ainda bem. A civilização também se defende assim: uma rusga de cada vez, pelos recantos mais surpreendentes.

Luis Miguel Novais

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