Insondáveis caminhos levam este Portugal adormecido, e a Áustria — não a Alemanha — ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, depois de uma estranha votação entre Estados europeus aliados na União Europeia e, no caso de Portugal e da Alemanha, também na NATO.
Estavam em disputa lugares rotativos no Conselho de Segurança da ONU para um mandato de dois anos. Portugal obteve 134 votos, a Áustria 131 e a Alemanha apenas 104, ficando abaixo dos 127 necessários. A Alemanha, apesar da campanha diplomática intensa e da confiança pública em Berlim, sofreu uma derrota inédita e politicamente embaraçosa. O seu ministro dos Negócios Estrangeiros atribuiu o resultado ao alinhamento alemão com a Ucrânia e Israel; outros viram no voto uma censura mais ampla à liderança externa de Friedrich Merz.
Só encontro uma explicação: o decoupling de Portugal em relação aos planos de rearmamento que estão a ser executados pela Alemanha. Caso contrário, por que razão não lhes demos a vénia — que, em tese, também serviria a nossa própria segurança?
Luis Miguel Novais
