Recordo um plenário de trabalhadores metalúrgicos, quando dirigia o Grupo Pachancho, fundado pelo meu bisavô António Peixoto. Tive então de responder a rostos fechados e de os persuadir a não fazer greve. Não recorri a slogans nem a ameaças. Limitei-me a explicar-lhes a realidade.
Sejamos francos: em plena segunda revolução industrial — chamemos-lhe revolução artificial — uma greve geral, assim dita, é um anacronismo. É também uma afronta aos jovens que vivem sem o conforto do Estado-papá ou da mamã. Além disso, tornou-se frequentemente uma forma moderna de pressão sobre políticos fracos, os mesmos “prostitutos políticos” de que falou Pedro Passos Coelho.
Os meus metalúrgicos, largas centenas deles, ouviram-me e não fizeram greve. Fomos todos sensatos. Expliquei-lhes, olhos nos olhos, que se eles parassem de trabalhar eu deixaria de ter receita para lhes pagar os salários.
Luis Miguel Novais