Há palavras que explicam mais do que os comunicados. Não é “emergente”, aquilo que sobe à superfície. É “imergente”, aquilo que mergulha, que se afunda, que permanece oculto.
A investigação dirá quem fez o quê. O julgamento absolverá ou condenará. Mas a leitura política do nome é inevitável neste Portugal adormecido: quem ou o que imergiu? Pessoas, contratos, procedimentos, favores, partidos, instituições?
O problema nunca é apenas o que emerge quando a polícia faz buscas. O problema é o que esteve imerso durante anos sem que ninguém o visse — ou sem que ninguém o quisesse ver. Por coincidência, as investigações passaram também pelo Largo do Rato, sede nacional do Partido Socialista. Imergente. Submarinos?
Luis Miguel Novais
