A Hungria mostrou hoje o essencial de uma democracia viva: alternância no poder, voto maciço e reconhecimento pacífico da derrota. Viktor Orbán, primeiro-ministro desde 2010, reconheceu a vitória do partido Tisza liderado por Péter Magyar. A participação ultrapassou os 77%, a mais alta desde a queda do comunismo.
Nem anos de manipulação do terreno eleitoral, nem a captura do espaço mediático, nem os aplausos do universo MAGA, nem a proximidade política de Moscovo bastaram para travar os valores europeus. A Hungria recusou permanecer entre a democracia e a deriva iliberal.
Os valores da União Europeia — e entre eles, com especial força, o Estado de Direito — não são verbo de encher, nem coutada para alguns. Aí está o voto para o demonstrar. Obrigado, Hungria.
Luis Miguel Novais
