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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Chuva de Ruína

A memória coletiva não existe. Se existisse, recordaríamos — pelo menos na bolha mediática — os acontecimentos de agosto de 1945 que deixaram o mundo boquiaberto e forçaram uma paz que hoje já quase não recordamos.

Bastam três textos: no diário de Potsdam (25 de julho de 1945), o então presidente dos Estados Unidos da América Truman regista a descoberta da “mais terrível bomba da história do mundo” e admite que poderá ser a “destruição pelo fogo profetizada”; na ordem militar autoriza o lançamento da primeira “bomba especial” sobre Hiroshima, Kokura, Niigata ou Nagasaki, logo que o tempo o permita, e de outras em sequência; e, na declaração pública de 6 de agosto de 1945, após Hiroshima, anuncia-se o lançamento da bomba, recorda-se Pearl Harbor e adverte-se que, sem aceitação dos termos, cairá uma “chuva de ruína vinda do ar como nunca se viu nesta terra”.

Não foi Trump quem inventou a “destruição pelo fogo profetizada”; foi Truman, em 1945. Recordemos, para evitar repetir.

Luis Miguel Novais

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