Não serei o único, mas tinha a sensação de perda de religião pelo mundo. Pelo que andei a pesquisar (pela internet, estudos recentes, com o auxílio computacional acrescido do GPT). Estava errado. A intuição (europeia, convenhamos) não bate certo com os dados globais. A religião não está a desaparecer; continua a ser a condição dominante da humanidade.
Apenas cerca de 25% da população mundial não se encontra associada a uma religião. Os restantes três quartos distribuem-se por grandes blocos: cerca de um quarto cristãos, cerca de um quarto muçulmanos, e um bloco hindu muito significativo, que lidera o quarto restante (os judeus representam uma ínfima parte deste quarto, surpreendentemente, considerando a sua influência mundial).
Também aqui o eurocentrismo está a falecer. A Europa projetou a sua secularização como regra universal e enganou-se. À escala global, a religião continua a estruturar sociedades e nações, e a dominar o dia a dia da larga maioria das pessoas.
Luis Miguel Novais
