Durante o período de nojo pela morte da mamã, faleceu Jürgen Habermas, aos 96 anos, a quem chamaram “the last European”.
A sua longa vida de europeu, tendo atravessado as muitas crueldades das guerras e a casa comum da união económica, tornou-o europeu no sentido mais exigente do termo: paladino da união política. Pensou a Europa como projecto de razão pública europeia, não como mera soma de interesses nacionais nem simples mercado comum. Via nela uma forma superior de legitimidade, fundada em princípios partilhados, instituições comuns, vontade política e democracia.
Cada vez mais, parece, somos cada vez menos unidos. Habermas insistiu na necessidade de uma solidariedade para além das fronteiras nacionais. Que tarde ou nunca virá.
Luis Miguel Novais
