Neste Portugal adormecido desistimos de extrair gás — admitindo que até pudéssemos viavelmente, o que não sabemos, porque desde 2020 deixámos de prospectar petróleo e gás. E ainda não fabricamos a sério gases reciclados (a partir do lixo), nem hidrogénio (a partir da água).
A rede elétrica nacional continuará, porém, a depender de gás; são as próprias palavras do presidente da REN numa entrevista recente ao Observador (Sob Escuta). A produção renovável de energia, por si só, não assegura o sistema e é demasiado instável para vir a fazê-lo.
Fica assim este Portugal adormecido numa situação estranha: mais de 90% do gás importado (sobretudo da Nigéria e dos EUA) entra por Sines, gerando receita extra para a REN, que explora o terminal. Produção nacional reduziria essa utilização. Há aqui um conflito de incentivos que, em plena crise energética, tem de ser resolvido em favor do interesse público, não é?
Luis Miguel Novais
