"Eu estive no Apagão de 2025", circula nas redes sociais o modelo de uma t-shirt virtual com estes dizeres festivaleiros. Eu também estive, neste Portugal adormecido e bloqueado pelo inacreditável Apagão de ontem, durante mais de oito horas (que não poderia ter durado sequer mais de uma hora, não é?).
Quem parece que não esteve foi o atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Noutras (tantas) ocasiões tão visível por toda a comunicação social, de ontem até agora ninguém sabe por anda o senhor, ninguém o vê. Por onde anda? O que faz? No exercício das suas funções, perante tão grave crise nacional, apagou-se. No site oficial da presidência, um comunicado lacónico, datado de ontem, sob título "Falha de Energia Elétrica": "O Presidente da República está a acompanhar a situação em contacto permanente com o Governo".
Gostaria de o ter ouvido dizer de viva voz que, por exemplo, desde 2013, a "interrupção de fornecimento de eletricidade" é por lei considerada uma "contraordenação muito grave". Além de ser uma óbvia falha de segurança, pondo em risco vidas humanas, com possíveis responsabilidades criminais e civis associadas. Além da nossa própria independência individual e nacional, posta em crise. A "Rede Elétrica de Serviço Público" falhou. O "Sistema Elétrico Nacional" colapsou. A culpa vai morrer solteira, Senhor Presidente da República Portuguesa?
Luis Miguel Novais
Post-scriptum de 3 de maio de 2025: o Senhor Presidente da República Portuguesa ressurgiu ontem, volvidos quatro dias sobre o Apagão, e aos costumes disse nada. Com o seu próprio apagão apenas fomenta as teorias de conspiração ou incompetência. Mesmo admitindo que, por estar onde está, saiba mais do que nós, porque não comunica?
