Os últimos nove meses têm sido de transformação do mundo. Os cristãos acreditamos na existência do mal (por isso pedimos no Pai Nosso, entre outras coisas, que dele nos Livre). E que existe na Terra, existe, mesmo que sob a forma de umas sub-formiguinhas invisíveis e inanimadas de que os seres humanos somos hospedeiros e, afinal, nos querem comer - e já nos impedem de sair de casa, viajar ou comer no restaurante, entre outras manifestações da nossa liberdade individual.
Ontem, assisti pela televisão em directo a uma interessante prelecção de um presidente, um médico e um general. O presidente Trump dos Estados Unidos da América não se distinguiu do presidente Putin da Rússia ou do presidente Xi da China - todos pretendem estar na vanguarda da cura contra esta peste em que vivemos. A verdade, porém, é que ainda não sabemos qual dos seus tratamentos vale, se vale.
Interessou-me mais a explicação do médico, cujo nome não retive e cujo rosto não pude ver (por estar coberto com uma máscara cirúrgica). Foi apresentado pelo presidente Trump como sendo o co-líder, juntamente com o general, de um grupo de trabalho que nos últimos meses tem liderado e financiado a procura de uma cura nos Estados Unidos da América (e, por arrastão ou inércia, na União Europeia).
Disse o médico que apostaram em dois tipos de vacinas e um tratamento de reforço do sistema imunitário. Que os três mostram resultados prometedores e poderão, em breve, ser aprovados pelas autoridades de saúde, em via extraordinária. Já que pela via ordinária o assunto não seria tão expedito.
Falou depois o general. Sobre o modo eficaz como esta "guerra" tem sido travada. Não o ouvi dizer nada sobre o que a História do século passado nos ensinou sobre os efeitos secundários (por vezes graves) resultantes da aprovação de vacinas em via extraordinária e expedita. E falou sem máscara na cara.
Deixo aos outros o encargo de retirarem conclusões sobre quanto isto possa ser prometedor.
Luis Miguel Novais
