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Riqueza, civilização e prosperidade nacional
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Ouro sob a terra e sob o mar
Um dos meus bisavôs fez fortuna larga nas minas em Portugal. Descansem os invejosos, que dessa fortuna do século passado nada me chegou. Excepto a memória (uma dessas coisas que não custa nem vale dinheiro, mas é minha). A memória que ainda subsiste na minha família, mas até sobretudo a memória que sempre me acompanhou, desde os bancos da escola primária, quando ouvíamos as fascinantes histórias dos romanos que, desde antes de Cristo, rebentavam montanhas inteiras para extrairem o ouro das nossas minas. Depois disso tocou-me, há um par de anos, a desilusão de constatar que as barragens do nosso Douro estão sub-dimensionadas para permitir o escoamento rentável do minério de ferro de Moncorvo. E que, sobretudo, apenas penny stocks canadianas perseguem a miragem do ouro em Portugal, enquanto os grandes players mundiais nos ignoram (salvo uma honrosa excepção, o grupo Lundin, presente na Somincor). De há muitos anos a esta parte que defendo a necessidade de o Governo assumir uma política efectiva, soberana, diria mesmo imperialista, de exploração económica do nosso ouro (negro, laranja, branco, dourado, you name it, que as nossas reservas estão bem mapeadas e são conhecidas desde há muitos anos). Alegra-me, por isso, constatar que o actual ministro da Economia está a desenvolver este sector e assinou 74 novos contratos de exploração, segundo anuncia. O futuro dirá se os parceiros são os certos e o rumo firme no sentido do ius imperii. Bem precisa o nosso Portugal adormecido de um euromilhões sem especulações neste sector. Luis Miguel Novais
